Domingo, Setembro 27, 2009
Terça-feira, Maio 12, 2009
Insegurança
São 21:00, cheguei a casa há pouco mais de uma hora, depois de um dia de trabalho que começou às 8:00. Aqueço qualquer coisa rapidamente no microondas para jantar, pois os rendimentos auferidos no final do mês não permitem fazer muitas refeições fora de casa. No entretanto, assisto ao telejornal da SIC que anuncia um debate sobre a “Violência na Bela Vista”.
Começa o debate com uma reportagem sobre o “outro lado da lei” (e eu que achava que havia um, e apenas um só, lado da lei, igual para todos). Do anonimato para os 5min de fama, vejo saírem jovens que à pergunta:
- Gostavas de trabalhar?
Respondem sem hesitar:
- Claro, gostava de jogar futebol!
Está tudo dito! E não estou a dizer que Figo, Ronaldo ou Zidane não trabalhem, mas é óbvio que o sujeito inquirido não quer trabalhar, quer, na melhor das hipóteses, um emprego, isto é, rendimentos fáceis, de preferência avultados.
O mesmo jovem fala de carjacking, arrombamentos de ATM e assaltos à mão-armada, com a mesma naturalidade com que eu comento os ensaios realizados durante a manhã. Contas feitas, há que “fazer pela vida” - dixit.
Ainda durante a reportagem, é entrevistada uma moradora do famigerado bairro, que, com bonomia diz:
- Os jovens não têm que fazer!
Pois bem, aproveito este espaço para publicitar um quintal com alguns metros quadrados e boa terra para ser cultivado. Aceitam-se propostas!
Já no estúdio, Clara de Sousa e os seus interlocutores – Marinho Pinto (bastonário da ordem dos advogados) e um qualquer general (perdoe-me, mas a idade já vai fazendo mossa) esgrimem argumentos sobre a insegurança.
Marinho Pinto, acerca da inimputabilidade, defende que se mantenha o actual regime, ou seja, qualquer cidadão menor de 16 anos pode fazer o que muito bem lhe der na cabeça, pois ainda não tem a consciência do que é o bem e o mal formada (sim, falamos da mesma consciência que o leva a agir sem algo temer, por saber que nada lhe acontecerá). O Sr. Dr. Marinho fala assim porque ainda não foi interpelado por um meliante de 14 anos apontando-lhe uma ponta-e-mola enquanto lhe exige as chaves do bólide, senão outra seria a argumentação.
Depois falou-se de sonhos, daqueles que os jovens do BBV não têm. Daqueles cuja ausência os impele a causar a combustão de automóveis, motociclos...
À cause deste comportamento inimputável, há muita gente que passou a ter pesadelos, ou simplesmente perdeu o sono, mas o melhor do Mundo são as crianças e o sonho (sempre que um homem sonha...).
O sonho, ou melhor, a sua inexistência, conduzem à revolta!
Revolta porque não jogam à bola, porque não lhes dão dinheiro para estar na santa paz do senhor a fazer coisa nenhuma, porque matam os amigos que são apanhados em flagrante delito a cometer crimes...
REVOLTADOS?! E que tal eu e os demais contribuintes deste país nos revoltarmos contra esta pantuminice?! E se num acesso de loucura (devidamente enquadrada e conducente a uma situação de inimputabilidade) desatássemos a atropelar todos os que nos vêm pedir uma moeda para o café, uns trocos para o almoço, ou o relógio para ver as horas...??!
BASTA, digo eu! Estou cansada de ser gozada por marginais. De me levantar diariamente antes do Sol, de ver todos os meses um terço od meu vencimento desaparecer e ir parar à conta dos “coitados” da BV. Basta de culpabilizar as forças policiais (esta é para o bastonário). Se os magistrados deste país não andassem a brincar aos psicólogos, certamente haveria menos marginais nas nossas ruas. Basta de peneiras, o Sol já nos torra a derme!
E para rematar, com chave d'ouro, diz Marinho:
- O maior problema é a pobreza!
Quererá o bastonário legislar e conduzir a, mais uma, revisão do código penal que enquadre a pobreza como razão de inimputabilidade criminal?!
GIME ME A BREAK, just give me a break!
BBV - Bairro da Bela Vista
Sábado, Abril 25, 2009
25 . 04

É quase meia-noite do dia 24 de Abril de 1974. Uma noite fria e ventosa, apesar da Primavera. Um grupo de cinco clientes entra no estabelecimento onde as cadeiras estão já arrumadas sobre as mesas. Pedem cafés. Um deles pergunta a um empregado se vão fechar.
- Claro, diz o homem - amanhã é dia de trabalho!
- Se calhar não vai ser - responde o freguês. - E, olhe, no futuro até vai ser feriado!
O empregado olha surpreendido aqueles clientes tardios e com um sentido de humor tão estranho. Se reparasse que apesar dos casacos diferentes, todos vestem calças, meias e sapatos iguais, ainda ficaria mais surpreendido.
(...)
Foi esta a madrugada que fez a diferença!
A madrugada em que nem os sinais vermelhos fizeram parar a revolução, a dos cravos vermelhos.

Por fim, resta-me, mais uma vez, agradecer ao Fernando, não só pelas vezes em que brincou comigo, em que me deixou trepar para as chaimites da EPC de Santarém, mas sobretudo pelo bem mais precioso que hoje tenho, a LIBERDADE!
Domingo, Março 01, 2009
On a tree fallen across the road
Our passage to our journey's end for good,
But just to ask us who we think we are
Insisting always on our own way so.
She likes to halt us in our runner tracks,
And make us get down in a foot of snow
Debating what to do without an ax.
And yet she knows obstruction is in vain:
We will not be put off the final goal
We have it hidden in us to attain,
Not though we have to seize earth by the pole
And, tired of aimless circling in one place,
Steer straight off after something into space.
(Robert Frost)
Sábado, Fevereiro 07, 2009
Será que existiu mesmo???

Mengele foi um dos mais temidos oficiais nazis porque, sendo médico da principal enfermaria do campo de Birkenau, parte do complexo de Auschiwitz-Birkenau, utilizou os prisioneiros do campo de concentração como cobaias para as mais abomináveis experiências.

Mengele fez numa ocasião carregar um vagão de comboio com caixões que os prisioneiros notaram "demasiado pesados para o seu volume". Os caixões íam com destino a Günzburg (sua terra natal) e alguns prisioneiros deduziram correctamente que continham lingotes de ouro, provenientes de extracções dentárias das vítimas do campo. Este foi um dos primeiros indícios de que Mengele tinha pressentido o fim da Alemanha nazi.
Quão fabulosa seria a imaginação de alguém para inventar semelhante patranha! Já dizía o douto Inácio de Loiola:
Quarta-feira, Janeiro 28, 2009
Jackson Pollock
Hoje vou dar numa de intelectual. É o que dá abrir o Google e descobrir que há um artista qualquer (na verdadeira acepção da palavra) que faz/faria anos hoje. E o feliz contemplado é o Sr. Jackson Pollock, nascido no Wyoming em 1912.Mas não se pense que descobri o feliz evento e por um mero capricho o refiro aqui! É que na verdade foi uma feliz "coincidência"!, já que sou apreciadora da arte expressionista. JPollock foi uma referência no movimento do expressionismo abstracto. Desenvolveu uma técnica de pintura, criada por Max Ernst - dripping (gotejamento) - na qual respingava a tinta sobre as suas imensas telas. Colocava a tela no chão, para sentir-se dentro do quadro, deixava cair pingos de tinta na tela e estes escorriam formando traços harmoniosos e pareciam entrelaçar-se. Assim pôs de parte os pincéis e o cavalete!
Dizia: "On the floor I am more at ease, I feel nearer, more a part of the painting, since this way I can walk around in it, work from the four sides and be literally "in" the painting."
A arte de Pollock combina a simplicidade com a pintura pura. Com ele dá-se o auge da action painting (pintura de acção). Nesta forma de pintura, inserida no conceito surrealista de automatismo psíquico, está claramente liberta da linguagem figurativa, é um ritual de actuação, sendo o resultado visual denso, cheio de escorridos policromáticos que definem tramagens lineares complexas. Por esta técnica, toda a tela ficava coberta de riscos de tinta, processo designado por all-over.
Se querem dar asas à vossa imaginação, experimentem aqui a vossa técnica de dripping!
Sábado, Janeiro 17, 2009
Não sei...
Não sei porque diabo escolheste
Janeiro para morrer: a terra
está tão fria.
É muito tarde para as lentas
narrativas do coração,
o vento continua
a tarefa das folhas:
cobre o chão de esquecimento.
Eu sei: tu querias durar.
Pelo menos durar tanto como o tronco
da oliveira que teu avô
tinha no quintal. Paciência,
querido, também Mozart morreu.
Só a morte é imortal.
(Não sei, Eugénio de Andrade in O sal da língua)





